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Para todos os fãs de Game of Thrones!

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Para todos os fãs de Game of Thrones!

Vocês estão ansiosos para ver o episódio final de Game of Thrones?

Eu não vejo a hora! Confesso que, às vezes, mal conseguia lembrar os nomes de tantos personagens! Mas a combinação de trama + qualidade técnica + elenco nota 10 da série me tornou um adicto.
Tão bom quanto assistir ao último episódio no próximo domingo é compartilhar esse artigo da Cora Ronai com vocês.
Faço minhas as palavras dela!

Foto: HBO

Game of Thrones: um episódio épico

por Cora Ronai

Vai ao ar no próximo domingo, às 22hs, pelo HBO, o décimo e último episódio da quarta temporada de “Game of Thrones”, acontecimento comparável, para quem é fã da série, a uma final de Copa do Mundo. Com a diferença que, em relação a “Game of Thrones”, ninguém precisa se angustiar com oportunidades e recursos postos fora: o dinheiro dos nossos impostos não foi investido na série, não se tem notícia de roubalheiras, a Fifa não vai levar um centavo do que foi arrecadado nem restarão elefantes brancos espalhados pelo país, ainda que alguns mamutes tenham sido vistos no domingo passado.

“The Watchers on the Wall” foi o episódio mais caro de “Game of Thrones” até agora, mas valeu cada centavo: há muito não se via, na TV ou no cinema, uma batalha tão extraordinária. Quando os créditos finais subiram, a reação geral, a julgar pelos comentários na rede, foi: “Como assim, já?!” Durante cinquenta minutos, que passaram como quinze, ninguém conseguiu tirar os olhos da tela. Respirar virou atividade secundária. Ficamos todos tão pilhados que entramos pela madrugada discutindo, online, o que havíamos acabado de assistir — no Brasil, nos Estados Unidos e onde mais o episódio foi exibido.

Ninguém esperava algo dessas proporções, em todos os aspectos. Na grandiosidade, no virtuosismo técnico demonstrado pela equipe e mesmo — ou talvez sobretudo — na duração. Ainda que essa batalha venha sendo anunciada desde o começo da primeira temporada, e que do destino da Muralha dependa todo o resto do universo da série, foi uma surpresa vê-la tomar o episódio inteiro, ainda mais na sequência de um final tenso como o da outra semana, em que a sorte de Tyrion, grande favorito do público, foi selada.

Para mim, este foi o verdadeiro golpe de gênio. Depois de uma temporada inteira de episódios fragmentados, acompanhando de forma equilibrada a história dos personagens mais atraentes, “The Watchers on the wall” fechou o foco no núcleo menos carismático da série e, numa única batalha, perfeita e emocionante, roubou a cena em grande estilo.

Boa parte da responsabilidade pela insuportável tensão desses cinquenta históricos minutos se deve à câmera (com destaque especial para o plano-sequencia em 360 graus, filmado no pátio do castelo) e à edição, que alternando panorâmicas e planos fechados, permitiram que acompanhássemos tudo — sabendo, a cada minuto, onde estava quem, e onde esta ou aquela luta estavam sendo travadas, numa sensação de imersão quase tridimensional.. Não se pode subestimar a importância disso.

Mas a batalha não foi só coreografia e técnica; sem isso não aconteceria, é certo, mas só com isso não tiraria o fôlego de ninguém. Ela teve emoções fortes e revelou facetas desconhecidas de alguns personagens: Sam não só demonstrou coragem inesperada, como provou, mais uma vez, que informação é poder, ao avisar a Jon Snow o que estava acontecendo na outra frente de batalha; Ser Alliser Thorne, que aprendemos a detestar há muitos episódios, se jogou na luta com tal brio, que passamos a torcer por ele. Isso para não falar na sentida morte de Ygritte, mais uma a quem não devíamos nunca ter nos apegado. Contudo, o momento mais heróico, a meu ver, foi a luta dos seis coitados apavorados contra o gigante, encontrando as forças que não tinham nos seus votos da Patrulha da Noite: “Escutem as minhas palavras e testemunhem os meus votos. A noite chega, e agora começa minha vigília…”

Como tanta gente, amo “Game of Thrones” porque tem o enredo mais subversivo de todos os tempos, e joga continuamente na contramão do que aprendemos nos livros e nos filmes sobre a arte de contar histórias. Mocinhos escapam no final. Mulheres são frágeis. Espadachins pequenos, mas ágeis, inteligentes e com sede de vingança, sempre ganham de brutamontes mal articulados. Só que não. O Bem nunca vence. Aliás, o Bem sequer chega a ser bom.

Mal consigo esperar para ver o que vai acontecer domingo.

o O o

Não entendo porque as emissoras não criam mesas redondas para debater os episódios de seriados vitoriosos como “Game of Thrones” assim que eles acabam. No domingo, assim que “The Watchers on the Wall” chegou ao fim, a HBO deu, como sempre, prosseguimento à sua programação. Alguma coisa sobre a Seleção Brasileira. Mas, caramba, ninguém que assistiu àquele episódio queria saber de Seleção — ou, de resto, de qualquer outra coisa! O que nós queríamos, todos, era ver mais, ouvir mais, falar mais sobre o que tínhamos visto, conforme fica claríssimo na internet, onde não faltam hangouts, recaps e comentários esmiuçando cada mínimo detalhe dos episódios. Não só de “Game of Thrones”, mas de todos os seriados que têm um bom público.

A televisão conhece essa vontade coletiva de continuar no clima, a tal ponto que qualquer pelada insignificante é seguida de horas e horas de debate em que comentaristas esportivos repassam e discutem lances do jogo. Por que espetáculos como “Game of Thrones”, “Mad Men” ou “Breaking Bad”, por exemplo, não merecem a mesma consideração?

Depois o pessoal estranha quando descobre que o público está passando mais tempo na frente do computador do que da televisão…

(O Globo, Segundo Caderno, 11.6.2014)

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